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|COMENTÁRIOS| THE 100 S05XE04 - PANDORA'S BOX




A Caixa de Pandora é um mito grego sobre a criação da primeira mulher. O titã Prometheus roubou o fogo sagrado do Monte Olímpio e entregou aos homens. Zeus reprovou a atitude, amarrando o titã para ser torturado por toda a eternidade. Enquanto para os mortais, enviou a primeira mulher, Pandora, carregando uma caixa com todas as tragédias humanas e sendo proibida de abri-la. Entretanto, foi vencida pela curiosidade e destampou, libertando todos os males, exceto a esperança. 
O título do quarto episódio faz alusão a tudo o que The 100 representa. Os personagens continuam sobrevivendo com a esperança de que um dia haverá paz. Os três grupos apresentados anteriormente finalmente colidem e o resultado só poderia ser guerra.

A narrativa retorna de onde parou, com uma interpretação arrepiante de Henry Ian Cusick, transmitindo o desgaste emocional causado pelos acontecimentos no bunker. Kane está assumindo a culpa por um crime que não cometeu: roubo de medicamentos, feito por Abby (Paige Turco) para alimentar seu vício. Octavia (Marie Avgeropoulos) sabe que o ex-chanceler não é o verdadeiro culpado e promete liberdade se ele contar a verdade. Caso contrário, lutará de novo.

Ao falhar na tentativa de mudar a visão de Blodreina, afirma que não matará mais. A velha amiga dele, Indra (Adina Porter), leva-o até Abby em uma última tentativa, mas ele já aceitou seu destino. Quando Octavia decide tirá-lo de sua miséria, um buraco abre no teto e a luz banha os sobreviventes pela primeira vez em seis anos. 

Para entender como isso aconteceu, precisamos falar sobre o que ocorreu em Shadow Valley. Bellamy (Bob Morley) conseguiu um acordo com a líder dos prisioneiros, Charmaine (Ivana Millicevic): eles abrirão o bunker e depois dividirão igualmente as terras férteis, sem violência ou armas. É clara a mudança de personalidade, agora ele age não só com o coração, mas com a cabeça. Isso soa familiar?
Temos a aguardada cena entre Bellamy e Clarke (Eliza Taylor), quem o aconselhou antes de Praimfaya. A loira está deitada em uma cela, quando ele aparece e podem conversar, é incerto que haja outro momento de calmaria ao longo da temporada. Depois de tanto esperar por seu retorno, ela não acredita no que está vendo. Entre abraços e trocas de olhares repletas de saudade, o coração dos shippers vai à loucura. 

“Six years is a very long time”. De volta ao bunker, são os dois que descem ao reencontro dos 814 sobreviventes. Em um cenário repleto de armas, sangue e uma atmosfera sombria, o irmão mais velho está claramente assustado com a liderança de Octavia e os caminhos que ela escolheu. Há muito o que conversar, mas não há tempo.

Charmaine e Graveyard (William Miller) acompanham de perto o resgate e demonstram uma mistura de senso de perigo e curiosidade ao observarem Gaia (Tati Gabrielle) e os citarem “from the ashes we will rise” na língua nativa, a trigedasleng. O ato remete a uma espécie de culto genérico das produções apocalípticas, foi no mínimo estranho. Engana-se quem pensa que os criminosos estão sendo bonzinhos, na verdade estão interessados apenas na médica, Abby, para encontrar uma cura de uma doença ou condição não especificada. Talvez seja resultado da criogenia. 

Ao mesmo tempo, Shaw (Jordan Bolger) trava uma luta cibernética com Raven (Lindsey Morgan) e continua perdendo. Sentem as faíscas no ar? Em um mundo devastado, encontrar outra mente genial só pode resultar em amor. Como citado na resenha anterior, ele será o elo fraco e em algum momento mudará de lado. 

Na nave Gagarin, a engenheira utiliza parte do seu tempo livre para descontrair com Murphy (Richard Harmon), após confessar que não é capaz de matar os 283 prisioneiros congelados. Essa não foi a única revelação: ao vasculhar os arquivos do sistema descobriu a existência de outras três missões da companhia Eligius para minar um asteroide. Porém, os dados sobre a terceira estão codificados e nem ela é capaz de descobrir o que aconteceu. 

Como tudo é possível, talvez eles façam uma aparição na season finale. Afinal, o produtor-executivo diz que o final garante história para mais cinco temporadas. Acredito que Eligius III será a chave.

Por fim, Charmaine decide parar com o teatro e rende Wonkru, além de capturar Abby e Kane. Ela garante que não haverá violência desde que não se aproximem do Vale, deixando-os em uma Polis devastada e rodeada por um deserto. Caso contrário, retalharão com força esmagadora. Como a série não deixa de surpreender, um dos prisioneiros perde a cabeça e dispara contra Octavia, mas acaba evaporando um grounder. É o estopim para o início da guerra.

Sabendo que não há mais volta, a criminosa ordena que Shaw use um míssil contra os sobreviventes, mas Raven possui controle sob o servidor. De qualquer forma, Shaw consegue abrir as escotilhas da nave, o que eventualmente asfixiaria os dois intrusos sem machucar os outros. Consequentemente, a engenheira é obrigada a acordá-los do sono criogênico e sabemos que não acabará bem. 

Pandora’s Box mostrou que há diversas caixas, agora abertas e espalhando a calamidade. A primeira foi o bunker, repleto de guerreiros com sede de sangue e uma rainha impiedosa. As outras 283 conservavam mercenários, agora presos no espaço com dois intrusos. Será que a esperança escapou? O que acontecerá com Madi (Lola Flanery) e os outros escondidos no Vale?

Após um terço da temporada recheado de boas atuações e um roteiro inteligente, é difícil saber o que mais os produtores podem inventar. Quais as consequências da quebra de confiança entre os irmãos? Como funcionará a dinâmica entre pessoas que mal reconhecem umas as outras? E a reação de Madi por estar rodeada por tanta gente? 

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